Aprender a reciclar e a cuidar do meio ambiente têm sido pautas cada vez mais recorrentes nas escolas e iniciativas ligadas às gerações digitais. Mas, precisamos ir além… É necessário formarmos cidadãos capazes de desenvolver uma mentalidade mais ampla e estratégica sobre a sustentabilidade em diversos cenários.

Atualmente as práticas mais inovadoras em sustentabilidade estão intimamente ligadas ao conceito de Economia Circular. Conversei com a Beatriz Luz, fundadora do Exchange 4 Change Brasil e referência no tema de Economia Circular no Brasil.

Segundo ela, “Na economia Circular prevalece a substituição do modelo linear “Comprar-usar-jogar fora” pelo modelo circular “comprar ou alugar-usar-reaproveitar-desmontar e usar de novo”. Esta visão não só gera novos comportamentos e modelos de negócios, como também transforma o consumidor em usuário e o produto em serviço. Desta forma, favorecemos a criação de produtos mais duráveis e com o mínimo de impacto negativo no meio ambiente, pois na economia circular eliminamos a percepção de resíduos – tudo é re-aproveitado. Os benefícios de aplicar a economia circular são enormes: evita o desperdício, o acúmulo de resíduos e de lixo, diminui a exploração dos recursos naturais, minimiza os efeitos negativos das mudanças climáticas e gera novos emprego. Assim, o mercado é direcionado para a remanufatura e a economia continua a crescer sem depender da exploração dos recursos naturais”.

Para Beatriz, a visão de economia circular é um conceito “guarda-chuva” que engloba várias práticas e escolas de pensamento: simbiose industrial, biomimética, lixo zero, reciclagem, logística reversa, upcycling, reuso, etc. A economia circular provoca um novo pensamento de desenvolvimento de produtos com um olhar voltado ao consumidor e na sua experiência de consumo. É fundamental pensarmos na fase de concepção dos produtos, em como ele será usado, como será comercializado e qual o destino que ele terá ao final do seu ciclo de vida. Estamos vivendo em uma nova era e precisamos pensar em como sobreviver ao futuro. Portanto, necessitamos de novos formatos de educação, governança, leis e incentivos. É o momento de rever valores, avaliar nossas prioridades, redefinir o processo de produção e consumo e repensar os modelos de ensino. Beatriz explica melhor este tema amplo no artigo “Que mundo é este?” do Blog dos Colégios do Estadão.

A Holanda lidera as práticas nas empresas e nas políticas públicas que utilizam o conceito de economia circular. Os holandeses já perceberam a necessidade de ensinar a visão da economia circular para as crianças como uma forma urgente de prepará-las para os desafios globais do século 21 e para uma sociedade cada vez mais mediada por tecnologias avançadas.

Projetos e iniciativas super bacanas estão sendo criados com este foco. Por exemplo:

Open Minds, Open World– o governo holandês mobilizou 40 crianças de 4 a 12 anos para criar soluções para problemas ligados ao trabalho, dinheiro, resíduos e alimentos considerando a economia circular.

Stars are circular-  Fundação holandesa que oferece informações e ferramentas sobre o tema da economia circular para as crianças desenvolverem habilidades necessárias no século 21, como empreendedorismo e criatividade.

DesignaThon School– programa educacional holandês que utiliza a abordagem do Design Thinking e do movimento maker para estimular as crianças a criar soluções para problemas globais baseadas na economia circular.

EcoBirdy– empresa holandesa baseada na Bélgica que usa plástico reciclado de brinquedos usados para criar móveis infantis e introduzir as crianças no universo da economia circular. Super bacana! Assista abaixo ao vídeo deste projeto (em inglês).

Aqui na América Latina foi realizada uma iniciativa bem interessante chamada “Alrededor de Iberoamerica” da Living Circular by Veolia– Em 2015 trinta mil crianças da Argentina, Brazil, Peru, Equador, Colômbia, Chile e México participaram de uma campanha divertida de conscientização focada em economia circular.

As novas gerações precisam crescer com a mentalidade pautada na economia circular. Só assim elas estarão preparadas para os desafios da quarta revolução industrial e serão capazes de criar soluções que atendam as necessidades humanas em contextos  ainda nem imaginados atualmente.

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